#vazaJato. A imprensa na Lava Jato.

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A Folha fez hoje uma reportagem reveladora sobre a atuação da imprensa na cobertura da Lava Jato. Babado, darling. As conversas de Telegram de Deltan Dallagnol, obtidas pelo Intercept, revelam que os procuradores trataram de identificar os jornalistas amigos e alinhados que passariam a ser privilegiados na cobertura recebendo informações antes de todo o resto da imprensa.

Sérgio Moro chegou a demorar a liberar as chaves de processos para dar tempo de os procuradores repassarem os processos para aqueles que achavam que teriam um viés mais favorável. Para aqueles que eles entendiam ser contra a Lava Jato ou que não sabiam direito qual era a do jornalista, simplesmente sonegavam documentos.

A reportagem conta ainda que as conversas de Telegram mostram que muitos jornalistas ultrapassaram barreiras éticas a ponto de repassar informações que obtinham de advogados de acusados. Reforçando que obtinham essas informações justamente por conta de suas condições de jornalistas. Alguns jornalistas também informavam aos procuradores que as assessorias de empreiteiras é que repassavam informações sobre disputas internas na Polícia Federal.

A Folha optou por não divulgar o nome dos jornalistas por entender que o segredo da fonte é um direito constitucional do jornalista e por isso decidiu manter este sigilo.

Outro detalhe interessante da reportagem é que depois que Michel Temer assumiu eles começaram a sentir que certos jornais “amigos” começaram a não ser tão amigos. Ah vá!

Agora darling, não seja ingênuo, os procuradores fizeram isso porque sabiam que precisavam da imprensa para fazer a Lava Jato seguir. Nada diferente do que empresas e governos e políticos fazem. Não é fácil o jogo.

#VazaJato. Moro: político da Lava Jato.

Sérgio Moro agia politicamente quando era juiz do caso Lula na Lava Jato. É o que mostram mais uma vez as mensagens dos procuradores da Lava Jato divulgadas hoje pela Folha junto com Intercept.

Ai Tixa, mas Moro é meu herói e ele jamais faria isso. Tixa, mas eu odeio o Lula e ele merecia. Tixa, eu amo o Lula e esse Sergio Moro é escrotão. Darling, pouco importa o que qualquer um acha. O que importa são os fatos. Vem comigo que eu explico.

Quem não lembra do famoso áudio do Bessias, quando Dilma disse que mandaria para Lula o termo de posse como ministro caso precisasse? Moro divulgou esse grampo mesmo ele sendo ilegal e tendo sido feito quando não havia mais autorização judicial. E mais: era a presidente da República. O caso deveria estar no STF. O que aliás rendeu uma repreensão a Moro por parte do então ministro Teori Zavaski, que morreu num acidente de avião. Moro pediu escusas e ficou por isso mesmo.

A #vazajato já mostrou que Moro selecionou este trecho para divulgar. Deixou de fora todas as outras ligações grampeadas de Lula que mostravam que ele estava relutante em assumir como ministro, mas como o governo Dilma estava afundando ele iria assumir o cargo. Ter escolhido quais áudios seriam divulgados já é grave, mas o que a #vazajato mostra hoje é ainda mais grave.

Divulgar ligações grampeadas não era um procedimento padrão da Lava Jato como Moro quis fazer crer na época e mesmo agora. Os procuradores fizeram uma pesquisa nos processos e botaram reparo que na verdade o áudio de Lula foi o único divulgado. Em outros processos com interceptação telefônica, eram raros os que tinham sigilo zero como foi o de Lula. Só um outro processo teve transcrição de áudio divulgada e mesmo assim o áudio em si estava em prova física e não na internet. O áudio de Lula no entanto estava não só público como na internet.

O grampo inflamou os protestos pró- impeachment.
Lula como ministro de Dilma poderia ter mudado o curso do governo ao abrir interlocução até então inexistente com o Congresso. Poderia ter evitado o impeachment e mais ainda, o caso de Lula teria ido para o STF porque ministro tem foro privilegiado.

Mas também vale lembrar que o ministro supremo Gilmar Mendes proibiu que Lula fosse ministro alegando que ele estava só em busca do foro privilegiado. Aliás, a própria decisão de Mendes foi muito contestada pelos petistas já que depois ministros de Temer assumiram para ter foro e Mendes fingiu que não era com ele.

PP (para os perdidos). Moro julgou o caso de Lula em ritmo mais acelerado que outros casos. Moro divulgou trechos já antigos da delação de Palocci, que ele mesmo achava fraca, às vésperas das eleições do ano passado. Mas a delação prejudicava a campanha petista. Moro virou ministro de Bolsonaro.

PP1. Recentemente, o ex-ministro de Bolsonaro e ex-chefe da campanha, Gustavo Bebianno, revelou que Moro foi sondado para ser ministro muito antes do fim das eleições.

Foto: Marcelo Chello

#vajaJato. Vazando não, pingando.

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E a #vazaJato que há tempos não está valendo estourar um saquinho de pipoca sequer, veio hoje com duas revelações que, que, que… não empolgaram tanto assim.

Tixa do céu, cadê as bombas do Intercept? Pois é, darling. Também estou esperando a grande bomba que vai abalar Bangú.

Mas vamos ao material de hoje. Primeiro em matéria da Folha, veio a revelação que mensagens do Telegram de Deltan mostram que a força tarefa e Sergio Moro omitiram da ministra Rosa Weber do Supremo informações relevantes sobre aquela operação que catou o Lula para depor à força na Polícia Federal em 2016. Entre as informações, a de que a ministra Rosa Weber foi citada nas gravações do telefone do Lula. 

Tixa, mas isso é importante. É. Mas o próprio ministro Teori Zavascki, que já morreu, já tinha dado puxão de orelhas em Sergio Moro por não ter levado o caso ao Supremo, já que tinha gente com foro privilegiado sendo citado. E ficou por isso.

A briga era porque os advogados de Lula queriam que a investigação ficasse em São Paulo e saíssem das asas de Moro. Já a Força Tarefa de Curitiba queria vincular a história à corrupção da Petrobras e deixar o caso lá com eles. Rosa acabou decidindo que ficasse em Curitiba.

Já na reportagem que saiu no El País, as mensagens da galera de Curitiba mostram que eles tiraram um barato da equipe da Força Tarefa de SP. Tudo por conta do fraco desempenho em comparação com RJ e PR. Parece que uns procuradores fazem o estilo meio João sem braço. As operações de São Paulo estão mais focadas no PSDB já que as do Lula ficaram quase todas em Curitiba. 

Ou seja, continuamos sabendo que a Lava Jato é um antro de excessos de poder e um grande game. Game over. 

#vazaJato. PF escondeu mensagens de Lula

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#vazaJato. PF ESCONDEU MENSAGENS DE LULA. A conversa vazada por Moro entre Lula e Dilma que acabou por impedir Lula de ser ministro, mudando o curso da história, ganhou um novo capítulo hoje com as mensagens do Telegram da Vaza Jato. A propósito,a própria Vaza Jato ganhou um novo capítulo.

A Polícia Federal ouviu muito mais do que aquela conversa em que Dilma dizia que mandaria o termo de posse “em caso de necessidade” pelo Bessias. O entendimento foi de que Lula tinha medo de ser preso.

Mas a polícia também ouviu que Lula estava relutando em assumir o cargo conforme falou com aliados e mesmo com seu advogado Cristiano Zanin. Ele temia que fosse visto como um ato para fugir da Lava Jato. as conversas que agora vêm a publico revelam que o ex-presidente tinha o propósito de ajustar politicamente o governo Dilma. Lula conversou até mesmo com Temer. Mas somente a conversa do Bessias foi parar no processo.

Para quem não lembra, Moro liberou o sigilo da conversa com Dilma ilegalmente já que o grampo já estava fora do tempo da autorização judicial para a gravação. Chegou a ser repreendido pelo STF por isso.

Moro alega agora diante dos novos fatos que não tinha como saber tudo o que a PF ouviu porque só é anexado ao processo o que é considerado relevante. Mas a reportagem que Folha e Intercept fizeram hoje conta que as mensagens do Telegram revelam que Moro se reuniu com policiais e procuradores em reunião.

Tixa, mas porque muda o rumo da VazaJato? Porque pela primeira vez aparecem mensagens de policiais federais. E eles estavam em grupos dos procuradores.

PP. (para os perdidos). A partir do vazamento que Moro fez, o ministro Gilmar Mendes proibiu Lula de ser ministro de Dilma e assim o ex-presidente não teve foro privilegiado. Além disso, existia a expectativa de que Lula pudesse mudar politicamente o rumo do governo Dilma e poderia ter evitado o impeachment.

Foto: Marcelo Chello

#vazaJato. A turma do abafa.

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#vazaJato. A TURMA DO ABAFA. O procurador Diogo de Castro escreveu em abril um artigo para O Antagonista chamando a segunda turma do STF de “turma do abafa” porque decidiram que casos de caixa 2 de campanha deveriam ir para a Justiça eleitoral. Aparentemente o procurador entende de abafa. Hoje o Intercept revela mensagens do Telegram de Deltan Dallagnol mostrando que os procuradores formaram uma turma do abafa para evitar que Castro fosse punido pelo conselho dos procuradores.

O procurador Castro confessou ao corregedor do Ministério Público que pagou por um outdoor na entrada de Curitiba com uma foto de todos os procuradores da Lava jato e dizendo que “aqui a lei se cumpre”. E nada aconteceu com ele. Segundo mostra a reportagem, o pagamento do outdoor foi feito por uma pessoa que sequer teria condições de fazê-lo.

Alguns dias depois Castor pediu para sair da Lava Jato com um atestado psiquiátrico de estafa. A reportagem mostra que os procuradores agiram para esconder a informação e para a imprensa e mesmo inicialmente para o corregedor negavam que o outdoor tivesse alguma relação com os procuradores. Dallagnol chegou a dizer que se a procuradoria tivesse pago pelo outdoor seria caso de “internação não de corregedoria”. Talvez daí tenha vindo a ideia de ir ao psiquiatra.

Na foto, o outdoor da República de Curitiba.

#vazaJato. Lava Jato não quis investigar os bancos

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#vazaJato. LAVA JATO NÃO QUIS INVESTIGAR OS BANCOS. Sabe aquela sensação de que o banco sempre sai ganhando? As novas conversas da Vaza Jato reveladas pelo El País e Intercept mostram que é sempre mesmo. As conversas do Telegram dos procuradores mostram que eles não investigaram os bancos como deviam e preferiam sentar para fazer acordos.

O Robito (lembra dele? Aquele que ia fazer empresa de palestras com Deltan) chega a dizer que os bancos faturaram muuuuito com as movimentações bancárias de Adir Assad, um dos maiores doleiros investigado na Lava Jato. Assad chegou a abrir uma conta no Bradesco nas Bahamas e sabe o que fez o Bradesco, segundo Robito? Nada. E sabe o que fizeram os procuradores da Força Tarefa de Curitiba, segundo a Vaza Jato? Nada.

Aliás, nada não. Deltan Dallagnol fez uma palestra na Febraban, a poderosa federação dos bancos, e ganhou 18 mil reais. Sem contar uma palestra secreta que fez para banqueiros na XP, também remunerada.

E sabe a delação do Palocci que o Ministério Público não quis aceitar? Então, parece que só o Bradesco o Palocci cita 32 vezes. E outras 70 e poucas o Safra.

Fora um monte de outros indícios que chegaram ao conhecimento da Lava Jato em Curitiba.

A Lagartixa mostrou em maio que todos os bancões, Itaú, Santander e Bradesco, chegaram a dar crédito para empresas fantasmas de Assad e o doleiro Youssef. Ou seja, indícios de que os bancos não cuidavam do seu compliance não faltava, mas os procuradores de Curitiba ignoraram.
Confira aqui:

http://www.lagartixadiaria.com.br/bankerslife-exclusivo-ba…/

PP. (Para os perdidos). Os bancos precisam seguir regras rigorosas de “conheça seu cliente” para evitar lavagem de dinheiro. São conhecidas como regras de compliance, na tradução seria conformidade.

#vazaJato. O amigo de Deltan na Receita

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#vazaJato. O AMIGO DE DELTAN NA RECEITA. Será que era por isso que Moro queria tanto o Coaf??? Que pergunta é essa, Tixa? É só para aguçar sua curiosidade no que vou te contar agora.

Deltan Dallagnol tinha um aliado na Receita Federal. Roberto Leonel. Ele era chefe de uma das divisões e conversas vazadas do Telegram de Deltan sugerem que Leonel dava uma olhadinha informal em alguns sigilos fiscais a pedido da Lava Jato como do caseiros do sítio de Atibaia ou dos pais de Rodrigo Rocha Loures, o homem ligado à Temer e que foi filmado levando uma mala de dinheiro do JBS.

A lei permite que auditores informem o MPF quando encontram indícios de crime, mas não permite que o MPF peça para bisbilhotar sem autorização judicial.

As novas conversas vazadas neste domingo pela Folha e Intercept mostram que Deltan também estava tentando obter a lista de pessoas fizeram repatriação no programa de governo, driblando o sistema.

Mas é o que o Moro tem a ver com a história?

Roberto Leonel é um nome que muito se ouviu falar nos últimos tempos porque Moro o colocou à frente do Coaf. Mas ele andou criticando a decisão do ministro Dias Toffoli que proibiu de investigações seguirem adiante se contaram com informações da Receita ou do próprio Coaf sem autorização judicial. A decisão beneficiou Flavinho que está sendo investigado justamente porque o Coaf apresentou dados suspeitos do senador.

Mas eis que Bolsonaro, o pai, não gostou muito do tal Leonel andar dando muitas opiniões e estava meio querendo que o Guedes o tirasse. Lembram que o Coaf saiu do Moro e foi pro Guedes? A solução foi mandar o Coaf para Banco Central e Leonel deverá cair fora.

Será que Leonel dava umas olhadinhas informais também no Coaf?

PP (Para os perdidos). O problema da decisão do Toffoli é que também impede que mesmo que o Coaf ou Receita encontrem algum indício de crime eles não façam nada com isso. Aí vira também uma festa do caqui.

#vazaJato. Deltan ensina Moro

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#vazaJato. DELTAN ENSINA MORO. As mensagens vazadas de hoje dão conta de que Deltan Dallagnol recusou um convite para receber um prêmio em São Paulo porque estariam Bolsonaro e Fernando Holiday. Temiam os procuradores ter a imagem da Força Tarefa da Lava Jato associada a radicais de direita. A recomendação inclusive foi da assessoria de imprensa. Um assessor chega a implorar. As conversas foram publicadas pelo UOL em parceria com o Intercept. 

Podemos dizer que com essa atitude, os procuradores evitaram o risco de fotos como esta de Sergio Moro quando ainda era juiz da Lava Jato.

#vazaJato. Moro não queria os celulares de Cunha

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#vazaJato. MORO NÃO QUERIA OS CELULARES DE CUNHA. O BuzzFeed agora também é parceiro do Intercept na divulgação das conversas vazadas. Na primeira reportagem mostra que Sérgio Moro não queria que os celulares de Eduardo Cunha fossem apreendidos quando acontecesse sua prisão, prevista para o dia seguinte.

Deltan Dallagnol, o procurador que teve seu Telegram vazado, chegou a insistir para que fosse feita a apreensão. A conversa entre os dois no entanto foi feita pessoalmente como mostram as mensagens reveladas. 

A reportagem diz que na época poderia haver o temor que políticos estivessem envolvidos e a Lava Jato perdesse força em Curitiba. 

Moro argumentou ao Buzzfeed, apesar de não reconhecer as conversas, que Cunha já tinha tido seu celular apreendido em operação anterior.

PP. (Para os perdidos). Estão agora na parceria com Intercept: Folha, Veja, Reinaldo Azevedo na Bandnews, El Pais, UOL e Buzzfeed.

#vazaJato. Deltan abastecia movimentos de rua

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#vazaJato. DELTAN ABASTECIA MOVIMENTOS DE RUA. Deltan Dallagnol não usava somente a imprensa para atingir seus objetivos na Lava Jato. (Lembram? Ele queria até divulgar notícia falsa para poder interrogar uma fonte sugerida por Moro e que saberia das tretas do Lula). Ele também usou os movimentos de direita Vem Pra Rua e Mude, segundo novas conversas vazadas divulgadas hoje pelo site The Intercept. 

Este Mude inclusive era ligado à igreja frequentada por Deltan e ajudava na pressão via redes sociais na escolha do substituto de Teori Zavascki que morreu numa acidente de avião e era o relator da Lava Jato ou no apoio do pacote 10 medidas contra a corrupção. 

Já com o VPR quem tinha contato era uma procuradora de São Paulo, mas Deltan a abastecia com vídeos para viralizar ou estratégias para pressionar o Supremo. 

Na foto, Danelon é Thaméa Danelon que chegou a ser coordenadora da Lava Jato em São Paulo. Ana Carolina Resende é procuradora.