#coronavírus. Maquiando os mortos.

O general ministro interino saiu hoje pela tangente e disse que imagina, ele nunca quis esconder dados, pelo contrário, estavam trabalhando na divulgação de dados mais precisos há 20 dias e blá, blá, blá. E Bolsonaro se gabou de que Pazuello mesmo sem ser médico sabe muito mais do que o Mandetta, que é médico.

Bom darling, claro que depois que a imprensa fez um consórcio para acompanhar os dados diretamente das secretarias estaduais e que o supremo Alexandre de Moraes mandou, de mandar, que Pazuello mostrasse os números, fica fácil dizer que o tempo todo estavam pensando na transparência, né?

O ministério da saúde parece que queria ou quer esconder sim os dados. Primeiro que teve o bilionário que ia ser secretário que disse que eles iam recontar os mortos e depois o bilionário não assumiu. Mas a própria mudança de sistema foi esquisita e pouco transparente. O ministro diz que agora apenas os mortos do dia entram na estatística. E os outros mortos vão sendo contabilizados nos dias anteriores. É errado? Não.

Mas tem duas coisas para entender:

1. Mesmo com a nova forma de contabilizar, no número acumulado devem aparecer todos os mortos por Covid. Então mesmo que de um total de 1.500 mortes, “só” 500 pessoas efetivamente tivessem morrido naquele dia e esse fosse o número divulgado pelo ministério, as outras mil seriam contabilizadas em dias anteriores. No fim das contas, no entanto, o acumulado traria de qualquer forma o total de 1.500 novas mortes. O problema é que o ministério sumiu com os dados acumulados e passou a mostrar só o do dia, numa clara tentativa de dar a sensação que estamos tendo menos número de mortos.

2. Se hoje divulgarmos 1.500 mortes no dia, a análise dos dados do ministério da saúde mostram que daqui um mês é provável que saibamos que nesse dia morreram muito mais que 1.500 efetivamente. Ou seja, divulgar apenas 500 mortos no dia é sim subnotificar.

Ficou difícil entender, né? Por isso mesmo que montei esse video pra você, que traz uma ótima explicação sobre esse rolê do registro de número de mortes. A explicação é do Dr. Atila Iamarino, que é microbiologista e tem acompanhado desde o começo a evolução da pandemia. Este vídeo foi gravado no dia 01 de junho, mas explica bem o que tentei explicar ali em cima.