#éNoiteNaCidade. Precisaram morrer 800 para Bolsonaro lamentar a morte.

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Mais um pronunciamento e mais uma vez Bolsonaro bateu de frente com todo mundo, inclusive com Mandetta.

Mandetta mudou o tom hoje e chegou a dizer que Bolsonaro era o comandante e que o comandante havia entendido que não se pode ministrar cloroquina logo no começo da doença. Parecia que a boa reunião que Mandetta disse ter tido com o presidente era a promessa de uma mudança de postura de todos eles. E o que fez Bolsonaro então em seu discurso à nação?

“Após ouvir médicos e pesquisadores do mundo inteiro passei a divulgar o tratamento da doença desde sua fase inicial.”

Ou seja, ignorou solenemente o seu ministro da saúde. De novo.

O discurso foi uma repetição incansável dos outros discursos. Foi sereno? Foi. Ele até disse que respeita a decisão de governadores e prefeitos (claro, agora que o Supremo disse que Bolsonaro não pode mudar o isolamento estabelecido por eles), mas voltou a culpar os governantes locais pela crise econômica que virá. Ele semeia a desunião e diz que quer a união: “Espero que brevemente saiamos juntos e mais fortes”.

Voltou a dizer que a grande maioria da população quer circular, ignorando as pesquisas que mostram que 76% querem o isolamento. E fez loas a seu programa de distribuição de renda, que já está atrasado há vários dias e muitas famílias já passam fome.

Mas Tixa, Bolsonaro não está certo sobre a economia? Darling, a economia ser afetada é uma consequência grave do corona, mas não foi causada pelos governadores. Fatalmente aconteceria. Ao governo federal cabe tomar medidas para amenizar este efeito. Não é o isolamento que está causando danos à economia. É uma tragédia mundial.

Até pouco tempo o presidente usava o Japão como exemplo de que poderíamos deixar as pessoas circulando. E sabe o que está acontecendo agora no Japão? Estão fechando comercio pelo aumento do número de casos. O Japão, darling, um país altamente higiênico, que todo mundo já usa máscara, não se cumprimenta pela mão, limpa tudo a todo tempo todo. O Japão está fechando.

E a cloroquina, Tixa? Bolsonaro chegou a fazer uma associação indevida do nome do médico Kalil Filho, do Sírio Libanês, à prescrição do remédio logo na fase inicial da doença. O dr Kalil admitiu que usou a cloroquina mas disse que não é um elixir da vida e foi usado com um coquetel de outros remédios. Kalil ainda disse que é a favor do uso em caso de pacientes como ele, em terapia intensiva. Jamais o dr Kalil defendeu o uso na fase inicial do tratamento.

E Mandetta, o ministro da saúde, alertou hoje porque não se pode distribuir a cloroquina no início. Primeiro, que ao surgirem os sintomas não dá para ter certeza se é o coronavírus. E se for a H1N1? A cloroquina não tem efeito sobre a H1N1, que também mata e tem seu próprio remédio.

Segundo, 85% das pessoas passam pelo corona só tomando remédios para dor de cabeça. E Bolsonaro quer que todo mundo tome? Não só quer, como já disse que a Índia vai mandar matéria prima para o medicamento no sábado.

Vale ainda registrar que a cloroquina tem efeitos colaterais sérios no coração e nos rins. Hospitais na França e na Suécia, inclusive, anunciaram hoje que estão interrompendo as pesquisas com cloroquina em pacientes por conta dos efeitos colaterais.

É darling, nada mudou no Planalto.

Minto, pela primeira vez, Bolsonaro deu condolências às famílias que perderam seus parentes. Precisaram morrer 800 pessoas para Bolsonaro enfim lamentar a morte.

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