#VazaJato. Moro: político da Lava Jato.

Sérgio Moro agia politicamente quando era juiz do caso Lula na Lava Jato. É o que mostram mais uma vez as mensagens dos procuradores da Lava Jato divulgadas hoje pela Folha junto com Intercept.

Ai Tixa, mas Moro é meu herói e ele jamais faria isso. Tixa, mas eu odeio o Lula e ele merecia. Tixa, eu amo o Lula e esse Sergio Moro é escrotão. Darling, pouco importa o que qualquer um acha. O que importa são os fatos. Vem comigo que eu explico.

Quem não lembra do famoso áudio do Bessias, quando Dilma disse que mandaria para Lula o termo de posse como ministro caso precisasse? Moro divulgou esse grampo mesmo ele sendo ilegal e tendo sido feito quando não havia mais autorização judicial. E mais: era a presidente da República. O caso deveria estar no STF. O que aliás rendeu uma repreensão a Moro por parte do então ministro Teori Zavaski, que morreu num acidente de avião. Moro pediu escusas e ficou por isso mesmo.

A #vazajato já mostrou que Moro selecionou este trecho para divulgar. Deixou de fora todas as outras ligações grampeadas de Lula que mostravam que ele estava relutante em assumir como ministro, mas como o governo Dilma estava afundando ele iria assumir o cargo. Ter escolhido quais áudios seriam divulgados já é grave, mas o que a #vazajato mostra hoje é ainda mais grave.

Divulgar ligações grampeadas não era um procedimento padrão da Lava Jato como Moro quis fazer crer na época e mesmo agora. Os procuradores fizeram uma pesquisa nos processos e botaram reparo que na verdade o áudio de Lula foi o único divulgado. Em outros processos com interceptação telefônica, eram raros os que tinham sigilo zero como foi o de Lula. Só um outro processo teve transcrição de áudio divulgada e mesmo assim o áudio em si estava em prova física e não na internet. O áudio de Lula no entanto estava não só público como na internet.

O grampo inflamou os protestos pró- impeachment.
Lula como ministro de Dilma poderia ter mudado o curso do governo ao abrir interlocução até então inexistente com o Congresso. Poderia ter evitado o impeachment e mais ainda, o caso de Lula teria ido para o STF porque ministro tem foro privilegiado.

Mas também vale lembrar que o ministro supremo Gilmar Mendes proibiu que Lula fosse ministro alegando que ele estava só em busca do foro privilegiado. Aliás, a própria decisão de Mendes foi muito contestada pelos petistas já que depois ministros de Temer assumiram para ter foro e Mendes fingiu que não era com ele.

PP (para os perdidos). Moro julgou o caso de Lula em ritmo mais acelerado que outros casos. Moro divulgou trechos já antigos da delação de Palocci, que ele mesmo achava fraca, às vésperas das eleições do ano passado. Mas a delação prejudicava a campanha petista. Moro virou ministro de Bolsonaro.

PP1. Recentemente, o ex-ministro de Bolsonaro e ex-chefe da campanha, Gustavo Bebianno, revelou que Moro foi sondado para ser ministro muito antes do fim das eleições.

Foto: Marcelo Chello